Sugestões
A INQUISIÇÃO E A LEGITIMAÇÃO DO PODER ATRAVÉS DA ARTE 09/11/2008

Fico muito contente em poder indicar aqui um dos trabalhos de uma pesquisadora que tive a oportunidade de conhecer pessoalmente e, inevitavelmente, passar a admirar.
Trata-se da Professora, Mestre e Doutora em História Social pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, Benair Alcaraz Fernandes Ribeiro.
Comecei a conhecer seu trabalho, e a maneira como se dedica a ele, ainda no primeiro ano da Faculdade de História. Tive a honra de aprender muito do pouco que sei assistindo suas aulas e em conversas posteriores, às quais ela, sempre atenciosa, nunca se negou.
Citá-la nos agradecimentos do meu Trabalho de Conclusão de Curso foi não só um ato de reconhecimento pela contribuição que ela legou em minha formação, mas uma grande satisfação.
O trabalho intutilado A Inquisição e a legitimação do poder através da Arte: o programa iconográfico do Convento Dominicano de Santo Tomás em Ávila, ao qual vocês terão acesso clicando no botão download, logo abaixo, trata do período histórico conhecido como Inquisição e o recorte geográfico aqui praticado é a Península Ibérica.
Além da competência com a qual a Professora Benair aborda o assunto, fundamentada em sua especialização no mesmo, a maneira como ela o faz, analisando a iconografia ligada ao tema, torna este trabalho de pesquisa tão rico em significado quanto prazeroso em sua apreciação.
Em seu texto, a professora faz uma introdução histórica sobre a Inquisição e dedica-se à analise de três obras do pintor espanhol Pedro Berruguete (1445 ou 1446 - 1503), a saber: Retábulo de São Pedro Mártir de Verona, O Assassinato do Inquisidor e O Retábulo de São Domingo de Guzmán. Todas estas pinturas foram encomendadas para adornarem o Convento Dominicano de Santo Tomás, em Ávila.
Além de analisar com minúcia os motivos retratados nas imagens, o texto da Professora Benair desvela as reais intenções de Tomás de Torquemada, Inquisidor da Igreja Católica, e pessoa que encomendara as obras ao artista espanhol.
Essa mescla de História, Arte e, por que não dizer, Política (se pensarmos nas intenções finais que levaram à encomenda das obras) torna este trabalho de pesquisa, apresentado pela professora no Congresso da ANPUH, em setembro último, um valioso instrumento de conhecimento histórico e uma aula de como podemos nós, professores de História, ensinar nossa disciplina com bases iconográficas, tornando-a mais agradável e maximizando seu alcance didático-metodológico.
Desejo a todos uma ótima leitura!
benair.rar

IMPERADOR E GALILEU 24/08/2008

Na noite deste último Sábado (23/08/2008), na companhia de um grupo de amigos, assisti a um espetáculo que gostaria de sugerir neste espaço. Não tenho competência para fazer uma crítica teatral, mas permito-me a sugestão embasado na força argumentativa trazida pelos diálogos contidos no texto ao abordar, em especial, o fundamentalismo religioso e suas maléficas conseqüências aos envolvidos. E também atendendo ao pedido de Caco Ciocler que, mesmo com o término da curta temporada no Sesc Santana (de 18/07 a 24/08/2008), ao final da apresentação, pediu aos que dela gostaram para que divulgassem a possibilidade de retorno da montagem em Outubro próximo, provavelmente no Teatro Imprensa.
Trata-se da peça Imperador e Galileu; um texto do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (1828-1906), dirigida por Sérgio Ferrara.
O Imperador é Flavius Claudius Iulianus (331-363), que ficou conhecido como Juliano, o Apóstata, vigorosamente encenado por Caco Ciocler. Juliano era sobrinho de Constantino I, o Grande (272-337), que em 313, por meio do Edito de Milão, elevara o incipiente Cristianismo à condição de religião oficial do Estado Romano.
O referido Galileu não é aquele pensador italiano que por sua ciência ousou questionar os dogmas da Igreja na primeira metade do século XVII. O indivíduo que também empresta o nome à peça fora um mártir cristão, cujas relíquias Juliano, no auge da contenda contra os que professavam as palavras de Jesus, mandou que fossem banidas do seu local de culto.
O texto é edificado sobre um período histórico e permeado por reflexões filosóficas. História e Filosofia, então, tornam-se instrumentos que levam os espectadores a contemplar a passagem de um homem justo, que pleiteava a liberdade de culto em detrimento da imposição tirânica a uma única religião, a um estadista que, quando dotado do poder que o cargo lhe proporcionou, deixara de lado a sabedoria que inicialmente demonstrara possuir.
No decorrer do espetáculo, Juliano, nascido em Constantinopla e de formação cristã, entra em contato com a cultura helênica, tomando partido, no que respeita às crenças, pela pluralidade grega, em aversão à unicidade judáico-cristã.
Nesta peleja interior contra os preceitos cristãos, na qual se encontrava o Imperador, podemos observar questionamentos tipicamente nietzscheanos, onde a pretendida conduta norteada pela verdade e o perdão entra em conflito com os instintos humanos, sentidos e defendidos pelo monarca romano.
O conflito entre Juliano e os cristãos se inicia quando o primeiro, com o objetivo de retomar os costumes e a religião pagãos, revoga os direitos especiais de sacerdotes do Cristianismo, entre os quais o que lhes desobrigava do pagamento de impostos. A reintrodução dos cultos helênicos também fora causa do descontentamento dos seguidores de Cristo que, como forma de protesto, atacavam os pagãos e destruíam os santuários dedicados aos seus deuses. A partir de fatos como estes, o até então complacente Imperador passa de tolerante a perseguidor dos cristãos.
Se as quase duas horas de apresentação castigam o corpo que permanece cativo ao assento, a reflexão por elas suscitada alegra o espírito na mesma proporção, fazendo compensar cada minuto da atenção dedicada às palavras que se seguem.
Além de recomendar a montagem, parabenizando elenco e direção, gostaria de apontar com muita felicidade o ótimo trabalho desenvolvido pelos funcionários do Sesc Santana que, em plena noite de Sábado, receberam-nos de forma agradável e de nós se despediram, já tarde da noite, com o mesmo gentil sorriso da entrada.
Aproveito, ainda, para deixar aqui o meu agradecimento especial ao senhor Mauro César Jensen, de quem a competência e justiça já me haviam sido mencionadas por seus colegas de trabalho, mas que, nesta oportunidade, pude, além de constatá-las, perceber sua gentileza no trato com as pessoas, sejam quais forem.
(No arquivo abaixo disponível para download, consta a ficha técnica do espetáculo)
VENTURA_Imperador_e_Galileu_4.doc

SOBRE A SITUAÇÃO DO PROFESSORADO FRENTE A POLÍTICA EDUCACIONAL DO GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO 24/07/2008

Diante da política educacional praticada pelo Governo Estadual de São Paulo, liderado pelo PSDB, que fica claramente exemplificada no conteúdo do famigerado decreto 53037/08, e dos reflexos negativamente imediatos aos professores da Rede Pública e, conseqüentemente, à educação, o professor Roberto dos Santos, formado em História e Filosofia, analisa no texto, disponível abaixo para “download”, a situação na qual se encontram os docentes do estado mais rico da Federação.
Fazendo uso do pensamento Marxiano, expresso na Crítica da Filosofia Hegeliana do Direito, o professor busca pontuar a posição ocupada, hoje, pelo professorado, comparado-a com a da classe proletária do século XIX, contemporânea do filósofo alemão.
Sua proposta de reflexão inicia-se com a seguinte pergunta: O professorado paulista pode ser enquadrado na categoria proletária?
Objetivando responder tal indagação, Dos Santos decompõe sua análise em duas dimensões: as condições de trabalho a que os docentes estão submetidos e a mentalidade que lhes é inerente.
Fazendo um balanço que tem por base a comparação entre da força de trabalho exigida pela docência e o retorno dado pelo Estado na forma de um indecente salário, que se soma a alguns benefícios intencionalmente não incorporados à remuneração oficial, Roberto conclui que a aproximação entre o professorado e classe operária oitocentista é legítima.
Ao examinar a mentalidade reinante entre a maior parte dos professores, chega à conclusão paradoxal de que aqueles que deveriam ser os mais engajados na luta política, por possuírem, segundo Dos Santos, um maior nível de politização, esquivam-se da prática reivindicativa ao não aderirem aos sindicatos da classe e aos movimentos promovidos por estes, dando por justificativa, infundadas desculpas pelas quais, em suas palavras, leva-os a uma condição de “comodismo e alheamento”.
Faço a sugestão desta leitura aos professores por tratar-se de uma autocrítica, passível de discordância, mas que incita a reflexão da relação existente entre o comportamento individual e o posicionamento de classe. Aos não-professores, porque os rumos políticos da educação devem ser uma preocupação inerente a todos os cidadãos.
Boa leitura.
DOS_SANTOS_Configuração_do_professorado.doc

A POESIA ADENTRA O PALESTRA! 30/05/2008

Se você é apaixonado por futebol e lida com ele de uma forma inteligente, saudável, desviando-se de seus fatores ideológicos de estagnação, eis uma ótima opção de leitura sobre o esporte bretão.
Nesta página, a bola e o que dela se faz são tratados com sutil elegância em uma narrativa que se desenvolve poeticamente.
Seu criador, o historiador Paulo de Oliveira, escrevendo sob o justíssimo epíteto de Catedral de Luz, mescla a erudição acadêmica à cultura popular, tudo regado a vinho e queijo!
Se você busca por classe no trato do futebol, é amante da Itália e apaixonado por sua maior expressão institucional no Brasil, a Sociedade Esportiva Palmeiras, irá, assim como eu, adicionar este endereço aos seus favoritos.
http://catedraldeluz.blogspot.com/
Boa Leitura!